Vaticano contesta declarações de líder lefebvrista: os judeus não são inimigos da Igreja

09/01/2013 14:36

 

Vaticano contesta declarações de líder lefebvrista: os judeus não são inimigos da Igreja


Anteriormente o superior geral dos lefebvristas, Bernard Fellay, teria responsabilizado os judeus de estar por trás da exigência que a Santa Sé faz à Fraternidade Pio X para que aceite o Concílio Vaticano II.
 
 
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi (foto), contestou as declarações realizadas pelo superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX, conhecidos como lefebvristas), Bernard Fellay, quem chamou os judeus de "inimigos da Igreja".
 
Em suas declarações emitidas desde a Academia de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em New Hamburg, Ontario (Canadá), Fellay responsabilizou os judeus de estar por trás da exigência que a Santa Sé faz à FSSPX para que aceite o Concílio Vaticano II, e destacou que o apoio dos líderes judeus ao Concílio demonstra que "o Vaticano II é assunto deles, não da Igreja".
 
Por sua parte, em 8 de janeiro o padre Lombardi recordou em declarações à imprensa que Fellay não pode falar em nome da Igreja e precisou que é absolutamente impossível falar do povo judeu como "inimigos da Igreja", já que segundo a tradição dos Papas e da Igreja, seu compromisso é procurar o diálogo inter-religioso.
 
Sem entrar em detalhes sobre as declarações de Fellay, o porta-voz do Vaticano sublinhou que a relação da Igreja com o povo judeu é de "unidade e caridade", e isto se expressa de maneira particular no Concílio Vaticano II, mais concretamente na Nostra Aetate, um dos documentos que os lefebvristas rejeitam.
 
Conforme assinala a Rádio Vaticano, o porta-voz também recordou que, ao longo da história, os Papas demonstraram com frequência palavras e atos dirigidos a fomentar o diálogo com o povo judeu, assim como para com outras religiões.
 
É o caso da visita do beato João Paulo II e do Papa Bento XVI ao Muro das Lamentações de Jerusalém (Israel), ou as visitas de Bento XVI às sinagogas de Colônia (Alemanha) no ano 2005, Nova Iorque em 2008, e Roma em 2010, nas quais foi bem recebido.
 
Para animar à reconciliação entre a FSSPX e a Igreja, em 21 de janeiro de 2009 Bento XVI decidiu levantar a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos ordenados por Lefebvre em 1988: Bernard Fellay, Richard Williamson, Alfonso de Galarreta e Tissier de Mallerais.
 
Em 4 de fevereiro de 2009, a secretaria de Estado Vaticano indicou em um comunicado que os quatro bispos estão obrigados ao "pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II" e do Magistério de todos os Papas posteriores a Pio XII.
 
Dois anos mais tarde, em 14 de setembro de 2011, a Congregação para a Doutrina da Fé entregou à FSSPX um preâmbulo doutrinal contendo "alguns princípios doutrinais e critérios de interpretação da doutrina católica, necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e o 'sentire cum Ecclesia' (sentir com a Igreja)".
 
Depois do inicial rechaço dos lefebvristas, em fevereiro de 2012 a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, encarregada do diálogo com a FSSPX, anunciou estes que pediram "um tempo adicional de reflexão e estudo" para analisar o preâmbulo doutrinal.
 
Fonte: ACI Digital
Da redação do Portal Ecclesia.
 
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